«Finalmente, Dom Duarte é a favor da liberalização de drogas leves como maneira de combater o poder dos traficantes!»
Esta opinião é atribuída ao Rei; não sei se essa opinião é mesmo a dele e tenho dúvidas acerca da veracidade dessa atribuição.
Normalmente há dois argumentos utilizados para defender a legalização das drogas (leves e/ou duras): (a)“a venda de álcool também é livre para cidadãos maiores de idade; e por que não se liberaliza a venda de drogas?”(b) “a despenalização do consumo e venda de drogas é uma forma de combater o poder dos traficantes”.
1/ um mal não pode justificar outro mal. Não é pelo facto de o álcool se vender livremente que se pode tentar justificar a liberalização das drogas. Pelo contrário, seria aceitável que a idade mínima de consumo e compra de bebidas alcoólicas em Portugal passasse para os 18 anos (como acontece em Espanha, por exemplo).
2/ é falacioso comparar os malefícios das bebidas alcoólicas, como por exemplo a cerveja ou o vinho, por um lado, com os malefícios das drogas, mesmo as ditas “leves”, por outro lado. Estudos recentes demonstram que o consumo de drogas leves reduz o QI do consumidor.
3/ o consumo de drogas leves — por exemplo, da marijuana — pode levar ao consumo de drogas pesadas — por exemplo, os opiáceos. O habitual contra-argumento non sequitur é falacioso e falso.
4/ o poder dos traficantes tem que ser combatido com penas mais pesadas, com restrição de comutação de pena e de concessão de liberdade condicional, e em estabelecimentos prisionais específicos.
5/ o consumo de drogas tem vindo a sofrer quebras constantes desde 1995, e já está fora de moda: mais uma razão pela qual seria absurdo agora a sua liberalização.
Eu percebo que a Causa Monárquica pretenda abranger o eleitorado do Bloco de Esquerda e o da ala mais libertária do Partido Socialista. Mas isso tem que ser feito utilizando também a Razão, e não apenas a emoção.
Finalmente, há que entender uma coisa muito simples: o Rei não depende de votos; quem depende de votos é o parlamento e o governo. Em vez disso, o Rei é. E por isso é que mesmo no actual regime, o Rei não deixa de ser. E é isto que tem que ser explicado às pessoas.